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"Peça-me para ficar. Diga-me que ainda existe alguma garrafa de vinho perdida no seu armário sempre vazio e que meu queijo preferido ainda não estragou. Convença-me a não abrir a porta e, se for necessário, puxe-me pelos cabelos.

Conte-me, ao pé do ouvido, qualquer história longa, do tipo que só tem graça quando dita com o auxílio da sua voz. Faça-me rir e se, apenas com palavras não conseguir, abuse da sua melhor careta. Peça-me para não sair. Convide-me para uma degustação de pipocas, para um rodízio de brigadeiros, para uma harmonização de refrigerantes e, num piscar de olhos, antes que eu tenha tempo para descolar minha bunda do seu sofá, dê o play em algum filme bem demorado, do tipo que não perco nem em dia de final de campeonato.

Peça-me uma massagem em cada canto e um beijo em todo ponto. Diga-me para ficar. Convença-me a desmarcar o trabalho, o dentista, os próximos capítulos do livro e, se possível, desfaça a questionável significância do dia de amanhã. Aponte para o céu azul e, sem medo da mentir, diga que um tornado logo virá e que, por isso, é melhor nos escondermos sob o escuro do seu edredom. Peça-me alto, sem desviar suas retinas das minhas e, quando eu ameaçar baixar o olhar, segure-me firme pelo queixo ou pela nuca. Não implore. Não fique de joelhos. Não derrube lágrimas. Não ameace cortar os pulsos. Apenas, com jeitinho, peça-me para ficar.

Esconda minhas roupas e não me deixe sair pelado, por favor. Engula a chave da saída e o choro, se puder. Esquente o termômetro no abajur e, com timbre manhoso de uma criança que não quer ir para escola, peça-me para cuidar de você. Não me deixe olhar para o relógio e, muito menos, lembrar do enorme erro que cometeu. Distraia-me com sua menor calcinha ou com seu maior abraço. Engula-me com seus lábios macios e, se nada disso adiantar, pegue-me desprevenido e me algeme abruptamente. Peça-me para ficar, pois, eu sou demasiadamente louco por você.”

- Ricardo Coiro

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O que acontecera na noite anterior, na solitária, era apenas uma idéia do sofrimento que se tinha ali. Não adiantava mudar. Não adiantava porque o Brasil era o Brasil, porra. Porque não fugir?

                   O que é isso, companheiro? -Fernando Gabeira (1988)

  •   Uma breve história, sobre a ditadura de 64. No mínimo interessante.

   Cada um dos nossos pensamentos não é mais do que um instante de nossa vida.

   De que serviria a vida se não fosse  para  corrigir  os  erros , vencer os preconceitos  e,  a  cada  dia,  alargar  nosso  coração   e   nossos pensamentos? Nós utilizamos cada dia para alcançar um pouco mais de verdade. Quando chegarmos ao fim, vocês dirão então o que é que valeu nossa pena.

                    Romain Rolland -Jean Cristophe.

Também as estórias não se despreendem apenas do narrador, sim o performam: narrar é resistir.

                    Guimarães Rosa.

Tanto tempo pensando, a cabeça chegou a doer. Malditos radicais livres!

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A pobreza da riquesa - Cristóvam Buarque.

             *Recomendo

Paulo Freire -

Mesmo assim, distinguem-se na teoria do educador Paulo Freire três momentos claros de aprendizagem. O primeiro é aquele em que o educador se inteira daquilo que o aluno conhece, não apenas para poder avançar no ensino de conteúdos mas principalmente para trazer a cultura do educando para dentro da sala de aula. O segundo momento é o de exploração das questões relativas aos temas em discussão - o que permite que o aluno construa o caminho do senso comum para uma visão crítica da realidade. Finalmente, volta-se do abstrato para o concreto, na chamada etapa de problematização: o conteúdo em questão apresenta-se “dissecado”, o que deve sugerir ações para superar impasses. Para Paulo Freire, esse procedimento serve ao objetivo final do ensino, que é a conscientização do aluno.

   É tudo tão vasto, tanto a ver, aprender e descobrir. Às vezes bate um sentimento de ilusão, como quem pensa que nunca ira alcançar seus objetivos.

   Crescer intelectualmente é muito complicado. Mas cada linha vale a pena.

                                                                    Leonardo Piloni

imagine. Invente. Sonhe. Voe. Se a realidade te alimenta com merda, meu irmão, a mente pode te alimentar com flores.

Caio Fernando Abreu.

 Se tudo acaba como hoje, sou feliz. Uma taça de vinho -ou meia garrafa não importa-, uma sessão com meus amigos Caetano e Cazuza. Mais amor, o mundo para e o tempo também.

                                                      Leonardo Piloni

e por mais que nós achemos que nossa vida é tranqüila, que tudo está correndo bem, as vezes, ocorre uma sensação de solidão, um gosto triste. E é sempre ao silêncio que recorremos nessas situações, a uma taça de vinho ou duas. Acredito que o homem é assim, eu sou assim. Não trocaria isso por nada, porque nesses momentos tudo parece certo, a mente vaga e tudo é tão coerente, tão compreensível..”

                                                                 Leonardo Piloni